Crítica WhereToEatNow
Há verdadeiramente uma só razão para chegar ao Café de São Bento, e é o bife. Mais concretamente, o bife com molho de pimenta — um naco grosso e bem curado assente num molho de natas e pimenta verde que, contra toda a lógica, nunca resvala para o pesado. Chega a estalar num prato quente, com uma montanha de batatas fritas perfeitas ao lado, e ao primeiro corte percebe-se porque é que este prato é a referência de bife da cidade há décadas e não há meses.
A sala faz metade do trabalho antes de a comida sequer chegar. É tudo madeira escura nas paredes, luz baixa de velas e bancos corridos vermelhos, aquela intimidade abafada e de clube que faz uma terça-feira banal às onze da noite parecer discretamente memorável. Há salas mais imponentes em Lisboa e há-as mais na moda, mas poucas dão tanta vontade de nos demorarmos num segundo copo de tinto como esta.
A verdadeira cartada, no entanto, é o relógio. A cozinha trabalha até às duas da madrugada, o que faz do Café de São Bento a melhor opção de jantar tardio a sério da cidade, com folga. Quando as casas de fado se esvaziam e os restaurantes de alta cozinha já mandaram há muito o último prato, é aqui que se vem para um jantar de bife a sério e não para uma fatia triste de qualquer coisa requentada.
O conselho, portanto, escreve-se sozinho. Venha tarde, instale-se no brilho de madeira e velas com alguém de quem goste e peça o bife com pimenta. Sempre. Sem desvios, sem experiências, sem exceções — o objetivo desta casa é um bife que conquistou a fama ao longo de décadas, e não há boa razão para pedir à volta dele.