Crítica WhereToEatNow
O Essencial é o restaurante com estrela para onde se manda quem diz achar cansativos os restaurantes com estrela. Não há coreografia de pinças, não há gelo seco, não há empregado a recitar um parágrafo por cima de cada prato. Há uma sala modesta na Rua da Escola Politécnica, uma cozinha que sabe claramente o que faz, e comida que chega, se explica numa frase e trata de ser deliciosa.
O menu é sazonal e curto, o que costuma ser bom sinal. O peixe é tratado com verdadeira contenção — cozinhado ligeiramente aquém, temperado com algo ácido e afiado, deixado em paz. Os pratos de carne são mais ricos e clássicos, muitas vezes com um molho que passou o dia a reduzir. As doses são sensatas e não provocatórias, por isso sai comido, o que a este nível é mais raro do que devia.
O que justifica a ida é a relação qualidade-preço. O menu de almoço, em particular, é dos melhores negócios da alta cozinha de Lisboa, com a mesma cozinha e o mesmo aprovisionamento por uma fracção da conta da noite. Junte a harmonização e tem uma tarde que custa menos do que um jantar medíocre noutro sítio.
Notas honestas: a sala é simples e o ambiente é calmo ao ponto do silêncio — não vai render uma grande noite. O serviço é caloroso mas por vezes esticado quando a sala enche. E porque é discretamente bom em vez de ruidosamente inovador, fotografa pior do que os rivais, que é precisamente a razão por que ainda se consegue mesa. Vá antes de os outros perceberem.