Crítica WhereToEatNow
O nome é uma junção de tapas e petiscos, e a carta é exactamente essa discussão levada para a mesa. Henrique Sá Pessoa — cujo Alma tem duas estrelas umas ruas mais abaixo — usa o Tapisco para cozinhar a comida da península inteira sem ter de escolher um lado, e afinal as duas tradições dão-se melhor do que os respectivos nacionalistas gostariam.
Peça de forma alargada e deixe a mesa encher. Os enchidos ibéricos são excelentes e valem o investimento. Costuma haver um croquete muito bom, algo com polvo, uma tortilha bem feita, e clássicos portugueses recompostos o suficiente para justificar a recomposição. O prego é dos pontos altos. As doses são de petisco e quatro ou cinco a dois é o ponto certo.
A carta de vinhos anda dos dois lados da fronteira e a selecção a copo é invulgarmente boa, o que assenta ao formato — apetece ir mudando à medida que os pratos mudam. O serviço é rápido, informado e habituado a explicar o que são as coisas.
Notas honestas: os pratos pequenos são um formato que encarece discretamente, e é fácil levantar os olhos para uma conta que não estava à espera. A sala é estreita e barulhenta, e os lugares ao balcão são melhores do que as mesas de dois. E por desenho não é definitivamente português nem espanhol, o que frustra quem queria um ou outro. Vá pela variedade e pela partilha e é das mesas mais divertidas do Príncipe Real.