Crítica WhereToEatNow
O truque d'O Talho é ser um talho a sério e ter de o atravessar para chegar à sala, a passar pelo balcão, pelas carcaças penduradas e por quem está a comprar o jantar para cozinhar em casa. O truque é também a garantia: um restaurante que tem de vender a carne a retalho a um bairro de cozinheiros portugueses não pode dar-se ao luxo de comprar mal.
A cozinha é directa no melhor sentido. Os bifes são o pedido óbvio — pergunte o que está bom, pergunte pela maturação, e deixe o balcão decidir por si. O hambúrguer tem fama e merece-a, picado na casa a partir de aparas a sério e não de carne misteriosa. Há cortes de cozedura lenta para quem não quer bife, e os acompanhamentos são substanciais em vez de engenhosos. As doses são grandes.
Fica em Saldanha, fora da grelha turística, o que significa uma sala sobretudo cheia de gente do bairro a almoçar a sério, e preços que reflectem isso e não um código postal do Chiado.
Notas honestas: é um restaurante de carne com tudo o que isso implica — vegetarianos devem ir a outro lado, e mesmo carnívoros convictos podem achar a carta monocórdica ao longo de uma refeição longa. A sala é simples e um pouco iluminada de mais. E Saldanha fica a um metro do centro sem muito à volta para fazer uma noite. Vá pela carne, que é tão boa como qualquer uma da cidade, e trate a localização como a razão de continuar acessível.