Crítica WhereToEatNow
O Versailles é o que A Brasileira seria se os autocarros de turismo nunca a tivessem encontrado. Aberto em 1922 na Avenida da República, é tudo tectos de estuque, candeeiros de cristal, madeira entalhada e espelhos — um grande café a sério — e continua, numa tarde de semana, cheio sobretudo de lisboetas a tomar café com bolo porque é isso que ali sempre se fez.
O balcão de doçaria é comprido e merece estudo antes de se comprometer. Os clássicos conventuais estão todos e bem feitos, o bolo de arroz está exactamente certo, e o lado salgado — rissóis, croquetes, uma sandes decente — é melhor do que precisava de ser. Empregados de casaco branco tiram o pedido à mesa com uma formalidade que desapareceu por completo do resto da cidade, e fazem-no sem pressa.
A jogada é a meio da tarde: peça um galão e dois doces, sente-se numa mesa com vista para a sala e fique uma hora. Custa pouquíssimo e é um dos raros sítios onde a Lisboa de há cem anos continua a funcionar como negócio e não como exposição de património.
Notas honestas: fica a quinze minutos de metro do centro, que é precisamente a razão de se ter mantido intacto — não é sítio onde se tropece. A formalidade pode soar rígida a quem tem pressa. E é um café, não um restaurante, por isso a carta de pratos quentes é limitada. Vá pela sala, pela doçaria e pela ausência quase total de outros visitantes.