Crítica WhereToEatNow
O Solar dos Presuntos é uma cápsula do tempo no melhor sentido possível. A mesma família gere a casa desde 1974, e são as paredes que contam a história: uma colagem densa de fotografias assinadas — futebolistas, políticos, fadistas, presidentes — que passaram todos por estas salas mesmo ao lado da Avenida da Liberdade. Podia facilmente viver do mito, mas não vive. O presunto do Minho, pendurado à entrada e cortado fininho, é verdadeiramente extraordinário e dá o mote para tudo o que se segue.
Venha com fome, e digo fome a sério. As doses aqui são de outra época — o arroz de marisco chega bem para três, a costeleta de vitela tem mais ou menos o tamanho da sua cabeça, e ninguém o julga por pedir para partilhar. Isto é cozinha à moda do Minho traduzida para a capital: generosa, sem rodeios, profundamente reconfortante. A carta de vinhos é genuinamente extensa e, ao contrário do habitual na zona, tem preços justos, com espaço de sobra para explorar regiões portuguesas que ainda não conhece.
O serviço é à antiga, daquele que quase desapareceu. Toalhas brancas, guardanapos de pano a sério e empregados de carreira que pisam estes soalhos há décadas e leem uma mesa num relance. Peça uma sugestão e recebe uma resposta honesta. Não há pressa, não há pressão de rotação, não há a sensação de que querem a sua mesa de volta.
O melhor é encarar isto como um almoço demorado e libertar a tarde por completo. Uma refeição aqui não se encaixa entre duas visitas turísticas — é uma instituição de duas horas que o deixa agradavelmente derrotado. Reserve, sobretudo ao fim de semana, e não conte fazer nada de produtivo depois.