Crítica WhereToEatNow
A Mouraria é o bairro que os turistas atravessam entre o castelo e o Martim Moniz sem repararem que estão na zona mais genuinamente misturada de Lisboa. A Taberna do Calhau é boa razão para parar. Fica num largo pequeno com algumas mesas na rua, e cozinha petiscos portugueses com mão mais leve e contemporânea do que a tasca ali ao lado.
Conte com o costume bem feito e com duas ou três surpresas. Os peixinhos da horta, se os houver, chegam com um polme mesmo fino em vez do casaco pesado por que a maioria se fica. Costuma haver um bom prato de polvo, algo de porco que levou horas, e um prato vegetariano decente — mais raro do que devia nesta categoria. O pão e o azeite são levados a sério. Nada disto se leva demasiado a sério a si próprio.
A carta de vinhos é pequena e bem escolhida, puxada a produtores portugueses de escala modesta, e com preços que o fazem pedir garrafa em vez de agonizar a copo. O serviço é caloroso e fala inglês que chegue para ajudar sem o fazer sentir excursão.
Notas honestas: o largo lá fora é ótimo numa noite amena e menos ótimo quando o vento aperta. É pequeno, por isso as noites de fim de semana pedem reserva ou espera. E o bairro, ainda que perfeitamente tranquilo, é mais desalinhado do que o Chiado — o que é qualidade se veio à procura da cidade real e defeito se não veio.