Crítica WhereToEatNow
A Taberna Sal Grosso é daqueles sítios cuja morada as pessoas dão com alguma relutância, porque há uns trinta lugares e gostavam de ficar com um deles. Fica numa rua inclinada abaixo de Santa Apolónia, bem longe dos canais turísticos, e a sala é pouco maior do que uma sala de estar decente.
A carta é curta, muda constantemente e está escrita onde a pode ver. Peça mais do que julga precisar — as doses são pequenas e consistentemente excelentes. Os enchidos e os queijos são escolhidos com cuidado evidente. Costuma haver algo de porco feito devagar e algo de peixe feito depressa, e ambos tendem a ser o melhor que come nessa semana. A cozinha portuguesa é aqui tratada como tradição viva e não como peça de museu: pratos familiares, afiados.
O vinho é parte séria do prazer. A carta puxa por pequenos produtores e garrafas de pouca intervenção, a preços justos, e a equipa serve-lhe de bom grado algo de que nunca ouviu falar e explica porque resulta com o que pediu. O serviço é simpático e sem pressas, o que assenta bem à sala.
Notas honestas: é pequeno e é popular, combinação má para quem gosta de planear. Chegue à abertura ou conte esperar, e saiba que nem sempre aceitam reservas. Os lugares são apertados, a acústica é animada, e para conversar em surdina vai ter de se inclinar. Além disso, fica mesmo fora do trilho, por isso conte com a caminhada ou o táxi. Vale cada inconveniente.