Alentejana

O Frade

Cozinha alentejana e vinho a sério num espaço mínimo, perto de Belém

4.5A nossa avaliação
← Todos os restaurantes

Crítica WhereToEatNow

February 2026

A Belém vai-se pelo mosteiro, pela torre e pelos pastéis e depois, se souber, almoça-se n'O Frade. É uma sala muito pequena a umas ruas das multidões, gerida por gente do Alentejo que cozinha comida do Alentejo sem a amaciar para ninguém.

Isso quer dizer porco preto, em várias formas, todas boas. Quer dizer queijo de ovelha servido com pão que merece o queijo. Quer dizer açorda — a sopa de pão, alho e coentros que parece não ser nada e sabe à região inteira — e migas, e provavelmente qualquer coisa com bochecha de porco que passou a manhã a estufar devagar. As doses são generosas, os temperos são seguros, e nada no prato está ali para decorar.

A carta de vinhos é a surpresa. Para uma sala deste tamanho é irrazoavelmente boa, funda em produtores alentejanos e cheia de garrafas que não vê noutro lado, servidas por quem quer mesmo falar delas. Peça recomendação e diga um orçamento; vai ficar melhor servido do que se escolher sozinho.

Notas honestas: tem pouquíssimos lugares e não recebe grupos grandes. O almoço é mais fácil do que o jantar. Se for aos Pastéis de Belém a seguir, não peça sobremesa aqui — vai arrepender-se da dobradinha. E a cozinha é rica de uma forma que pede tarde livre e não horário; planeie uma caminhada lenta a seguir.

O Veredito: A melhor razão para ficar em Belém depois do mosteiro. Peça o porco preto e pergunte pelo vinho.