Crítica WhereToEatNow
Entra-se por uma porta banal na Rua das Portas de Santo Antão, sobe-se uma escadaria, e dá-se num pátio de revivalismo mourisco que não tinha nada que ali estar. A Casa do Alentejo é primeiro uma associação regional e só depois um restaurante, e o edifício é a razão para ir: paredes de azulejo, um salão de baile no primeiro andar, uma grandeza gasta que nunca foi renovada até à insipidez.
A comida é caseira alentejana, servida em doses grandes em salas construídas para ocasiões. Açorda, migas, carne de porco à alentejana, queijo de ovelha, vinho regional decente ao jarro. É honesta, generosa e de preço justo, e num bom dia a cozinha manda para a mesa um prato tão bom como qualquer outro desta lista. O pão, à maneira alentejana, faz muito do trabalho.
O que está mesmo a comprar é a sala. Comer um prato de migas sob um tecto pintado num salão meio vazio, com o barulho da Baixa abafado lá em baixo, é das refeições mais estranhas e memoráveis da cidade. Vá ao almoço, quando a luz entra como deve ser, e dê uma volta pelo edifício antes de se sentar.
Notas honestas: a cozinha é irregular — tanto pode estar muito boa como banal, e nem sempre se escolhe. O serviço vai do encantador ao completamente ausente conforme o dia. Recebe grupos, e nota-se. Vá pela arquitectura e pela cozinha regional e trate qualquer brilhantismo no prato como bónus e não como plano.