Crítica WhereToEatNow
O Ljubomir Stanišić cozinha como quem tem histórias para contar e nenhuma paciência para o silêncio, e o Bistro 100 Maneiras — a dois minutos das ruínas do Carmo, no Largo da Trindade — é onde ele as conta mais alto. É o irmão mais brincalhão e mais acessível do seu restaurante de menu de degustação, e é aquele que realmente apetece depois de um dia a subir as colinas do Chiado. A sala é escura, atrevida, cheia de arte e animada a partir das oito, do género em que o cocktail chega antes de decidires que tipo de noite vais ter.
Começa pelos cocktails — são mesmo bons, não são um pormenor — e pelo pão, que o Ljubo leva a peito. A carta muda com o mercado e com o humor do chef, mas os famosos croquetes da mãe do Ljubomir são presença certa por bons motivos: estaladiços, cremosos por dentro, impossíveis de largar. O tártaro de novilho cortado na hora e os pratos de carabineiro são consistentes, e a carne com tutano é daquelas de pedir "só mais uma". As doses são de petisco; três ou quatro a dois, mais uns cocktails, é o ponto certo.
Porquê vir aqui a partir do Carmo? Porque é perto, é divertido, e entrega técnica a sério sem a solenidade da alta cozinha. Conta com uns 45 a 60 euros por pessoa com bebidas, o que para esta qualidade em pleno Chiado é justo.
Notas honestas: é barulhento, é apertado e enche depressa — reserva com antecedência, sobretudo ao fim de semana. Para um jantar romântico e sossegado, não é aqui. Vem pela energia e por um chef que claramente ainda adora o jogo.