Crítica WhereToEatNow
A ideia do Sea Me é boa: uma peixaria a sério à entrada, cheia de gelo e do que entrou nessa manhã, e uma cozinha atrás que trata a sua escolha à portuguesa — inteiro, na grelha, com azeite e sal — ou à japonesa, em sashimi e nigiri. O mesmo peixe, dois argumentos completamente diferentes sobre como o respeitar.
As duas metades funcionam. A grelha é bem conduzida, com a contenção que a boa cozinha de peixe portuguesa exige, e o lado cru é mais afiado do que na maioria dos sushis dedicados da cidade porque a matéria-prima é genuinamente melhor. A jogada é fazer as duas: comece por uma pequena selecção de sashimi enquanto decide e peça depois algo inteiro do gelo para grelhar para a mesa. Os pratos de gambas e marisco também são fortes.
O peixe do balcão é a peso, e é aí que a conta pode disparar, por isso pergunte quanto pesa a peça antes de se comprometer. O serviço de vinhos é sólido e a sala é barulhenta, moderna e movimentada de uma forma que assenta a um jantar longo.
Notas honestas: o preço a peso apanha as pessoas desprevenidas e vale a pena ser directo logo à partida. Não é barato, e a sala é clara e ruidosa, não romântica. Os puristas dos dois lados — os tradicionalistas do peixe grelhado e os obcecados por sushi — vão encontrar cada um o seu motivo de resmungo. Mas como sítio para comer peixe verdadeiramente fresco de duas maneiras na mesma refeição, é a melhor versão dessa ideia em Lisboa.